quinta-feira, 4 de julho de 2013

Culpado é o povo?

Ontem, 03 de julho, assisti a uma entrevista na TV Câmara, o deputado Manoel Junior do PMDB/PB  respondeu a uma pergunta sobre corrupção. Ele disse que a culpa é do povo que não sabe votar. Alega que se o povo não vendesse seu voto por benéficos próprios, como tijolo, dentadura, sapato, dinheiro e sei lá o que mais, o elegido seria mais comprometido com o eleitor. Em outras palavras ,repassa a corrupção dos políticos  culpando o povo.

Neste país com tanta desigualdade social, até eu, se estivesse sem telhas, com meus filhos dormindo com goteiras na cabeça, se estivesse com a despensa vazia ou privada de alguma necessidade básica, aceitaria qualquer oferta retribuindo com o  que tenho - meu voto. É isso que nas camadas mais necessitadas acontece.

Sejamos honestos em nossas avaliações. Como um cidadão brasileiro, carente de tudo, sem Educação, numa região sem saneamento básico, sem transporte, sem água (comum na Paraíba, existe desde o Recôncavo Baiano até o Maranhão) e sem energia elétrica pode sobreviver? Logo um brasileiro necessitando de dinheiro para comprar  remédios e alimentos pode ser culpado de vender seu voto?

O que as ruas também pedem é igualdade social, melhorias sociais, justamente para que a venda de votos não seja regra. O que o deputado Manoel Junior esqueceu de dizer – esqueceu ou não quis dizer – é que o maior culpado, o verdadeiro culpado nessa situação é o político safado que se aproveita da miséria de muitos, para comprar votos.

Nessa questão de votos, o principal vilão é o político. Eximir o político de culpa e  responsabilizar o eleitor, é querer dar legitimidade ao ato de corromper. Ou seja, a compra do voto pode, a venda, não.

E nessa relação, digam sinceramente, quem tem o maior poder de manobra, quem tem o maior poder de escolha? Não é o povo faminto, desvalido e sem conhecimento do valor do voto.


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