domingo, 25 de setembro de 2011

As mentiras da dona Argentina

Dona Argentina é uma pessoa muito mentirosa, mas só depois de algum tempo é que as pessoas descobrem essa faceta da dona Argentina, pois ela mente tão bem que até ela mesma acaba acreditando nas mentiras dela.
Dona Argentina se diz muito íntegra, mas na época do cruzeiro/cruzeiro novo/cruzado, ela trocava  a etiqueta das mercadorias no supermercado. Explicando, compra dois quilos de carne de primeira e meio kilo de carne de segunda. Então ela trocava as etiqueta. Mas isso é muito antigo, tão antigo quanto a dona Argentina.
Dona Argentina diz que sua religião é oriental. Macumba vem de onde mesmo? Mas se perguntarem a ela se já fez macumba, ela se benze e diz “Deus me livre!”...ai, e aquele despacho no cemitério para segura o marido?
Dona Argentina se diz empresária. Atualmente, pelas minhas contas, em todos os shoppings do Brasil, quiçá do mundo, tem uma filial das suas lojas. Acredite quem quiser. E olha que tem gente que acredita...
Dona Argentina diz que mora num belo Hotel, cercada de privilégios e mordomias. Aí eu concordo, porque hotel, na maioria das vezes, se não for suítes de luxo, só possuem quarto, sala e banheiro.
Dona Argentina conta os casos de outras pessoas, casos que tenha achado interessante, como se fossem as situações vividas por ela. E pior, ela esquece quem contou o caso e os reconta na frente do protagonista dos fatos que, por uma questão de educação, finge que não percebe. Mas vai chegar um dia que alguém não vai se calar. Quero ver esse dia.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A "sala do riso"

Era uma vez uma sala do riso. Nela cabiam as pessoas mais sorridentes do lugar. Havia o homem de bigode que vinha de longe, sempre acompanho de um parente, senhor de uma competência  maior que o seus quase dois metros de altura - competência incomoda, pois assusta aos medíocres (uma vez ouvi falar que as pessoas tinham inveja das outras. Pensei muito nisso e cheguei à conclusão que a palavra inveja é usada por quem não tem competência. Eu sinto admiração pelas pessoas brilhantes e sinto pena dos que se sentem invejados).  O parente do homem grande de bigode era outra competência em forma de pessoa.
As pessoas iam chegando e vinham direto à “sala do riso”. Chegava o Cabeludo, acompanhado de sua gastrite e seu vasto conhecimento de história. Trazia com ele um abraço arrebatador e uma imaginação fértil para criar nomes e histórias engraçada.
Cegava o galanteador, com sua voz sexy, seus cabelos grisalhos e uma gargalhada inconfundível
E vinha o homem de longe, trazendo as histórias da família, do fulano que comeu uma lagartixa, dos conselhos de sua mãe, do amor que sentia pela esposa e filhos, enfim, ele também trazia consigo a alegria, a razão de ser daquela sala.
Chegava a observadora, com a cara emburrada de tanto tempo dentro do ônibus, mas que abria um sorrizão naquela sala e também contava casos engraçados e reveladores (ui, muito reveladoras).
Chegava o que se vestia como se fosse professor de Educação Física, ansioso por ler seus emails, mas sem antes dar uma passadinha no banheiro, lugar que ele mais freqüentava.
E outras pessoas também começaram a chegar,
Veio a baixinha, de ônibus, mesmo tendo carro, uma guerreira, um exemplo de caráter.
Veio a ninfeta,  a musa da sala, o desejo latente dos homes.
E muitos outros vieram, ora sim, ora não.
Até que a bruxa má mandou fechar a sala.

CARÁTER NÃO SE APRENDE NA ESCOLA



Recentemente aconteceu um fato, aparentemente costumeiro à profissão de professor, mas que me fez refletir sobre o grau de tolerância da chamada “cola”.
Eu sempre disse aos meus alunos que a cola é um direito do aluno, assim como a nota zero é também um direito do professor. Ou seja, quem cola deve assumir o risco de ser pego e arcar com as conseqüências, afinal quem nunca colou? E, por favor, não me venham com hipocrisias, pois quando me refiro a colar falo também da ação de facilitar que o colega dê uma espiadinha no que você está escrevendo.
Só não colei no mestrado, até porque eu já estava mais madura e consciente de meus objetivos.
Já distribui muitos zeros aos meus alunos. Chegava a ser engraçado, pois a turma ficava em alerta para saber que seria o “pato” da vez.
Mas uma ocasião, em especial, merece estar aqui neste blog.
Eu aplicava uma prova na faculdade e houve uma cola generalizada. Resolvi anular a prova. Qual não foi a minha surpresa? Os alunos se insurgiram contra a anulação da prova e foram à direção exigir que eu me retratasse, pois estava colocando em cheque o caráter deles.
E, pior, já não eram mais adolescentes, os quais sempre respeitaram a autoridade do professor. Falo de autoridade, não de autoritarismo.
Eu poderia elencar todos os que me contribuíram para a produção deste pensamento. Chego a achar graça do ridículo da cena, ao mesmo tempo em que me apiedo dessas almas aflitas e inescrupulosas.
Lembro, inclusive, dos que me chegavam a mim com sorrisos e manifestações de afeto artificiais, as quais nunca me comoveram.
Outros, mais coerentes, trancaram-se em seus mundinhos egocêntricos e deixaram até de me cumprimentar.
Então apenas ratifiquei o sempre disse: CARÁTER NÃO SE APRENDE NA ESCOLA

A GALINHA DO CEMITÉRIO

Quando professora do Ensino Médio costumava levar meus alunos para conhecer as cidades históricas de Minas Gerais.
O passeio além de instrutivo era engraçadíssimo, pois adolescentes têm um bom-humor que falta a muitos marmanjos de caras feias.
Num desses passeios, fomos visitar o túmulo do Tancredo Neves. O cemitério estava fechado, mas eles não viram nenhum empecilho para entrar, pois bastava ou pular o muro ou se esgueirar por entre a cerca.
Eu e um grupo de alunos nos sentamos na calçada à espera dos desbravadores de cemitérios quando, de repente, ouvimos um gritaria danada e uma correria desenfreada.
Nem me movi, pois sabia que era mais uma que eles estavam aprontando. Até fingi que não estava com eles, para não me comprometer. Afinal, ser jovem é isso mesmo, é alegria, irreverência e ousadia.
Com uma rapidez muito maior com que entraram no cemitério, eles saíram dele. É claro que correram para me contar o que acontecera.
Resumindo: o Bruno achou um despacho no cemitério, não se conteve, pegou o pé da galinha despachada e saiu correndo atrás das alunas.
Já não me lembro se foi neste mesmo cemitério que segundo antes do Bruno se apossar do pé da galinha, os que estavam lá dentro ouviram o barulho de uma porta batendo e ficaram com os cabelos arrepiados de medo, pois não havia mais ninguém no cemitério além deles, os invasores. Quem sabe não ouviram os fantasmas....rs


terça-feira, 13 de setembro de 2011

A bunda do Paulinho

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13 de setembro de 2011
Durante muito tempo fui professora do Ensino Médio e tive a oportunidade de conviver com adolescentes que me fascinavam com suas brincadeiras, suas piadas fora de hora, suas apatias com a Língua e Literatura Portuguesas, enfim, tudo o que caracterizava um aluno normal, nas primeiras sérias do Segundo Grau. Entre tantas histórias para contar dessa garotada (hoje quase todos casados, pias de família), algumas se destacam, pois literalmente alguns colocaram a bunda na janela e não foi para que passassem a mão nela. Teve a bunda do Franklin, na janela da escola, na hora da saída dos alunos e, para azar deste, a mãe do “Macarrão” viu e contou para a Direção. Todos podem prever o que aconteceu. Mas uma bunda em especial a Direção nunca chegou a ver, embora quisesse muito saber se era verdade que o Paulinho mostrara a bunda pra todo mundo no ônibus do passeio da escola. Já nem me lembro mais se fiz cara de paisagem quando me perguntaram a respeito de uma foto que circulava pelo colégio com os respectivos glúteos do Paulinho. Só sei que escondi a foto tão bem escondia que passei a tarde toda de hoje à cata dela, mas meu sacrifício foi em vão. Mas eu hei de encontrá-la e, se o Paulinho permitir, vou expor na rede o que tantos quiseram ver e não tiveram oportunidade. Aproveito para acrescentar que o Paulo o exemplo de como as aparências enganam. Quando ele chegou ao colégio, com suas tatuagens, suas calças frouxas, seu cabelo enrolado, logo foi mal visto, estigmatizado. Mas a pureza dessa alma, a integridade desse caráter eu ainda não encontrei em ninguém.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Maria Machadão

Conheci uma professora que hoje faz a linha durona, autoritária, inflexível, porém muito fofoqueira.
Quem a vê hoje, tão austera, supostamente eficiente (eficiência não há, já que se sustenta nos leva-e-traz para se manter no posto) nem de longe imagina as peripécias que ela já praticou.
Todos que me conhecem sabem do meu temperamento irreverente, contadora de piadas, professora de Língua Portuguesa que sempre falou palvrões, inventou outros tantos e, pela conhecimento da Língua, sabia, ou melhor, sei usar bem a língua (a ambiguidade sempre foi o meu forte, talvez eu devesse ter feito Propaganda e Markenting),
Pois é, mas eu nunca me atraquei com os meus aluninhos dentro de nenhuma sala de aula, aos beijos, abraços e sei lá mais o que. Eu não estava lá. Só sei do que é sabido por todos que vivenciaram essa época, mas que se negam a admitir o fato, com medo da Maria Machadão. Não sei se disse que ela também é a campeã de assédio moral.Quem será?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

É, está chegando a hora.


 Muitos vão negar, outros gargalhar, alguns chorar, mas a maioria vai se divertir.
 Vou dividir o blog de acordo com os locais onde trabalhei, ou seja, colégios e faculdades.Não posso dar os nomes da empresas nas quais trabalhei (só se me pagarem pelo marketing...rs), mas posso citar apenas Histórias dos Colégios", Histórias dos Cursos" e Histórias das Faculdades". Assim, todos saberão a qual seção se dirigir, além de poder ficar sabendo do que nunca viu, nem ouviu e nem sabia que havia acontecido. Pode ser que alguns tenham vivido ou sido meu(s) aluno (s) em mais de um espaço. 
Vou contar tudo, dos alunos, dos professores, dos diretores, de mim.
Aguardem!

Vânia e suas Letras


  • Toda a inspiração desse blog surgiu com a vontade de revelar fatos pitorescos, alguns comprometedores e outros reveladores da minha vida profissional. Por saber que corro o risco de ser processada, resolvi criar nomes fictícos para as personagens de fatos reais.Evidentemente que, quando possível, nomes reais serão mencionados, até como uma forma de homenagear aqueles que me proporcionaram boas gargalhadas e/ou saudosas lembranças.Nao sou escritora, portanto, este espaço destina-se tão somente à recreação minha e de meus leitores, os quais, evidentemente, sao minha fonte inspiradora. Abrirei espaço para sugestões, porque acredito que muitos dos meus alunos ainda mantêm lembranças vivas dequilo que eu já possa ter esqucido. Desta forma, meus maiores colaboradores serão todos os que queiram ajudar a manter atualizado meu blog.
  • Também haverá, é claro, um espaço reservado para tirar dúvidas relacionadas à linda Flor do Lácio ( olha a intertextualidade aí, gente!).