Alguns amigos me perguntaram o que eu penso das pessoas envolvidas no escândalo dos diplomas falsos.
Sou professora há mais de 30 anos e todo esse tempo me deu não só um amadurecimento como também amplo conhecimento das leis que regulam o magistério, bem como a duração de cada processo, de cada etapa rumo ao topo da carreira.
Talvez por isso que eu não consiga apenas ver os fraudadores somente como pessoas sem caráter. Para mim, foram também ingênuos, neófitos – faltou-lhes sapiência; não são expertos no assunto.
Quanto àqueles que saíram em defesa deles, não preciso tecer comentários. Todos os que vivenciaram o fato já têm suas opiniões e não me cabe aqui colocar mais lenha na fogueira. Cada um sabe de si, cada um responde por seus erros e/ou acertos, muito embora muitos nem saibam o que é certo ou errado, pois a vaidade cega-lhes até os ouvidos, ouvidos estes que só ouvem o que os olhos querem ver.
Nunca me iludi. Sabia que o escândalo atendia ao interesse de um grupo sedento de vingança, mas que nunca ousaria se expor; agem de maneira sorrateira, por baixo dos panos, não são protagonistas e nem coadjuvantes, mostram-se apenas expectadores, embora escritores da trama. Não são covardes, são medrosos, é diferente.
Poderia nomear um por um, mas não sou dedo-duro, ainda mais que estava consciente de que pensavam que eu estavam indo na onda, reagindo aos fatos os quais achavam que me provocavam repulsa, ou melhor, provocam.
Não tomei partido de ninguém, não apoiei ninguém, não agi por impulso, não fui forçada a nada, apenas me posicionei. Não me omiti.
Não estou à venda, não compro votos, tenho minhas verdades.
Louvo as atitudes dos doutores Benedicto e do Richard.
Quanto às pessoas que faziam parte do meu grupo de amigos do trabalho, os professores, eu os entendo. Todos têm família, compromisso, contas a pagar. Os tempos são outros. Helena de Tróia hoje se ajeitaria mesmo com o seu seqüestrador, caso seu cativeiro não fosse descoberto.