sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A greve

Acho justo que todas as categorias tenham um salário digno, que lhe possa propiciar uma vida estável, com relativo conforto. Sou professora de carreira, sem queimar nenhuma etapa,  isto é, fui da rede pública à rede privada, até chegar ao magistério superior. Ralei muito, havia dias em que eu trabalhava em 04 estabelecimentos de ensino para poder pagar minhas contas. Eu não trabalhava 01 dia e folgava 02. Eu trabalhava todos os dias, cumprindo meu papel de professora, profissão que escolhi, mesmo sabendo das dificuldades. Se eu ganhava pouco? Não, eu trabalhava muito para prover minhas necessidades. Houve uma época que o Município entrou em greve e eu fui trabalhar. Todos me apedrejaram, mas eu havia comprado um pacote de férias (o qual estava pagando com o suor do meu trabalho e muito trabalho) e não estava disposta a perder o meu lazer. Afinal, eu tinha 4 empregos e não apenas duas  manhãs no município. Para chegar aonde cheguei ralei muito, estudei muito, investi em minha profissão, repito, mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaria.
Não sou contra greves, não sou contra reivindicações salariais, mas sou contra meu direito de ir e vir. Então, eu pergunto: se o médicos decidirem fazer greve, a população vai apoiar? U é, o direto de um é o mesmo direito do outro. E a miséria do salário mínimo que serve de base para muitas categorias, que nunca fizeram greve? Ir à televisão e pedir que a população não saia de casa é deboche, um descaso, um pedido de aliança bom apenas para uma das partes. O justo, o certo, é que seja bom para todos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Besteirol musical

Já prestaram atenção à letra desta música?

Mas antes, apenas um comentário

Uma vez eu li, não me recordo onde, que os homens não tinham medo das máquinas, mas sim das mulheres. Achei o dito bastante pertinente, pois as mulheres  provaram que são capazes de ser muito mais do que donas-de-casa. Elas se inseriram no mercado de trabalho, elas se destacaram na política, elas aprenderam a dizer quando, onde e com quem.

Vejo a liberdade de escolha da mulher como um avanço, pois durante anos foram oprimidas pelos desejos impostos pelos pais, maridos e companheiros.

Evidentemente que ainda há uma grande parcela sufocada pela violência doméstica, ignorada nos seus diretos de cidadã.

Aí eu escuto essa música, gravada pela cantora Cláudia Leite.

Primeiro que eu nem sei o que ela quis dizer e nem muito menos o que ela queria do “preto”.

Observem:

1.     Preto se você me der amor
Tudo de mim você terá
Preto se você pisar na bola
Boto outro em seu lugar

Tudo muito vago e ambíguo  “Pisar na bola” e mais à frente eu justifico

2.     Tô cheia do vazio
Do que me prometeu
Quem manda em mim sou eu (2x)

Se ele prometeu o vazio, ele não prometeu nada. Então, o que esperar ou o que cobrar?

3.     Por que o carro é meu
O celular é meu,
O silicone é meu,
Não foi você quem deu

E daí que não foi o “preto” quem deu? Na verdade, deveria ser motivo de orgulho a possibilidade de ter seus objetos de consumo provenientes de sua própria competência, seu esforço, seu trabalho. Ou será que está querendo dizer que as mulheres que são presentes pelos seus companheiros não têm o direito de expor suas idéias quando a relação não vai bem?  Outra coisa: “o silicone é meu” sugere que ambos usam silicone e cada um que se acerte com o seu. Esse é seu silicone, este é o meu. Você usa o seu, eu uso o meu...hum

4.     Aquele e-mail meu
Que você recebeu, não era pra ser seu
Nem sei por que cê leu

Francamente, se ele leu, foi porque ele recebeu e a palavra receber implica dizer que foi enviado para ele. Ou será que o "preto" acessou seu e-mail sem seu consentimento? Se for o caso, ele não recebeu; ele bisbilhotou. Podem até dizer que alguém pode receber algo por outra pessoa, mas isso não cabe neste contexto. E se ele não poderia ler, o que estava escrito? Quem está, afinal, "pisando na bola"? 

5.     E por por favor não mexa com os amigos meus
Se até o meu ex é meu

Agora piorou! Que confusão! Será que paira a dúvida de que o “ex” possa vir a ser do ou já foi do “preto”?

6.     Eu não vou servir de escada para você
E nem vou implorar por um carinho seu
Agora jaz aqui no peito
Aquele homem que me perdeu

Não tem como implorar nada, ele só prometeu o vazio. E de onde surgiu essa escada? Bem, se o “preto” pretende usar a mulher  como escada, alavancar-se com a ajuda dela, perde o tempo dele, porque nem o celular ela vai emprestar.