Ontem, 03 de julho, assisti a uma entrevista na TV Câmara, o deputado Manoel
Junior do PMDB/PB respondeu a uma pergunta sobre corrupção. Ele disse que a culpa é
do povo que não sabe votar. Alega que se o povo não vendesse seu voto por
benéficos próprios, como tijolo, dentadura, sapato, dinheiro e sei lá o que
mais, o elegido seria mais comprometido com o eleitor. Em outras palavras ,repassa
a corrupção dos políticos culpando o
povo.
Neste país com tanta desigualdade social, até eu, se
estivesse sem telhas, com meus filhos dormindo com goteiras na cabeça, se
estivesse com a despensa vazia ou privada de alguma necessidade básica, aceitaria
qualquer oferta retribuindo com o que
tenho - meu voto. É isso que nas camadas mais necessitadas acontece.
Sejamos honestos em nossas avaliações. Como um cidadão
brasileiro, carente de tudo, sem Educação, numa região sem saneamento básico,
sem transporte, sem água (comum na Paraíba, existe desde o Recôncavo Baiano até o Maranhão) e sem energia elétrica pode sobreviver? Logo um brasileiro
necessitando de dinheiro para comprar remédios e alimentos pode ser culpado de
vender seu voto?
O que as ruas também pedem é igualdade social, melhorias
sociais, justamente para que a venda de votos não seja regra. O que o deputado Manoel
Junior esqueceu de dizer – esqueceu ou não quis dizer – é que o maior culpado,
o verdadeiro culpado nessa situação é o político safado que se aproveita da
miséria de muitos, para comprar votos.
Nessa questão de votos, o principal vilão é o político. Eximir
o político de culpa e responsabilizar o
eleitor, é querer dar legitimidade ao ato de corromper. Ou seja, a compra do
voto pode, a venda, não.
E nessa relação, digam sinceramente, quem tem o maior poder
de manobra, quem tem o maior poder de escolha? Não é o povo faminto, desvalido
e sem conhecimento do valor do voto.


