Antes de tecer qualquer comentário fazem-se necessários esclarecimentos:
- não sou jornalista, não sou crítica de cinema, de TV ou de rádio; sou mera espectadora;
- sou professora de língua e literaturas da Língua Portuguesa, com mais de 30 anos de magistério, tanto no ensino fundamental e médio, quanto no ensino superior;
- durante longos anos não assisti a novelas, até porque elas são noturnas e este era o meu horário de trabalho. Hoje, com todo o tempo disponível, faço o que gosto, assisto ao que gosto.
- não faço a linha intelectual, politizada, "papo cabeça". Já passei dessa época e posso dar-me ao deleite de zapear a TV, escolhendo qualquer programa que me interesse ou que me divirta.
Na primeira semana da novela Avenida Brasil, eu pensei eu não mais assisitir, porque o sofrimento da menina Rita me abalava muito. Sou daquelas pessoas que choram até em desenhos e, por isso, depois que a Rita foi abandonada no lixão eu parei de ver a novela. Quando soube que ela já estava na fase adulta, ainda na Argentina, pronta para voltar para o Brasil, após a morte do pai adotivo dela, eu voltei a assistir à novela.
A trama estava muito boa, quase todos os dias havia um clímax que sempre se refazia em um novo clímax durante vários capítulos. Acredito que boa parte do Brasil parou para ver a novela da Globo, cujos índices de audiência corroboram o que afirmei anteriormente.
Comecei - por força da profissão - a traçar alguns perfis das personagens, ou seja, Tufão, o "bonzinho", às vezes até bisonho, é o oposto do significado do substantivo comum, isto é, tufão, vento tempestuoso e repentino que corre com grande fúria todos os rumos. O Tufão da novela é uma brisa, que não sospra, que é soprada, sem nenhum senso de direção. Ninguém é tão ingênuo assim.
A Carminha está perfeita como a vilã, embora o autor tenha falhado no episódio em que ela colocou a Nina numa cova e a deixa viva. Tolice, sem fundamento, sem razão, sem motivo para desencadear a ira da Nina já antiga.
A Muricy é o mau caratismo em pessoa. Egoísta, falsa, tão fingida quanto a Carminha, preconceituosa e falsa puritana.
O núcleo do Divino é engraçdo, embora, às vezes, muito caricato.
O Cadinho, nem vou perder meu tempo. Personifica o achicalhamento da família.
Vamos ao que interessa: será que o autor acha que todos somos tão idiotas? Só pode ser.
Qualquer um já teria desmacarado a Carminha. É muita tolice essa enroalção de "não vamos machucar o Tufão", ó coitado do Tufão!
Se a arte imita a vida, sejamos coerentes com a vida. Quem, com a malícia e experiência da Nina tiraria todo aquele dinheiro do banco e sairia com ele numa mochila? Ah, isso já é apelação, já é desreito ao telespectador.
Se era para ficar nesse lenga-lenga, seria melhor que a Nina não tivesse conseguido as fotos que incriminam a Carminha. Seria melhor que o Jorginho ainda não tivesse sabido que a Nina é a Rita.
Esse vai-e-volta da novela é que já passou dos limites da tolerância.
Enfim, quando acabar a novela, vocês me contam o final, porque eu não aguento mais toda essa bobagem, todo esse desenrolar da novela sem a menor coerência, sem o menor sentido.