Era uma vez uma sala do riso. Nela cabiam as pessoas mais sorridentes do lugar. Havia o homem de bigode que vinha de longe, sempre acompanho de um parente, senhor de uma competência maior que o seus quase dois metros de altura - competência incomoda, pois assusta aos medíocres (uma vez ouvi falar que as pessoas tinham inveja das outras. Pensei muito nisso e cheguei à conclusão que a palavra inveja é usada por quem não tem competência. Eu sinto admiração pelas pessoas brilhantes e sinto pena dos que se sentem invejados). O parente do homem grande de bigode era outra competência em forma de pessoa.
As pessoas iam chegando e vinham direto à “sala do riso”. Chegava o Cabeludo, acompanhado de sua gastrite e seu vasto conhecimento de história. Trazia com ele um abraço arrebatador e uma imaginação fértil para criar nomes e histórias engraçada.
Cegava o galanteador, com sua voz sexy, seus cabelos grisalhos e uma gargalhada inconfundível
E vinha o homem de longe, trazendo as histórias da família, do fulano que comeu uma lagartixa, dos conselhos de sua mãe, do amor que sentia pela esposa e filhos, enfim, ele também trazia consigo a alegria, a razão de ser daquela sala.
Chegava a observadora, com a cara emburrada de tanto tempo dentro do ônibus, mas que abria um sorrizão naquela sala e também contava casos engraçados e reveladores (ui, muito reveladoras).
Chegava o que se vestia como se fosse professor de Educação Física, ansioso por ler seus emails, mas sem antes dar uma passadinha no banheiro, lugar que ele mais freqüentava.
E outras pessoas também começaram a chegar,
Veio a baixinha, de ônibus, mesmo tendo carro, uma guerreira, um exemplo de caráter.
Veio a ninfeta, a musa da sala, o desejo latente dos homes.
E muitos outros vieram, ora sim, ora não.
Até que a bruxa má mandou fechar a sala.

