segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A "sala do riso"

Era uma vez uma sala do riso. Nela cabiam as pessoas mais sorridentes do lugar. Havia o homem de bigode que vinha de longe, sempre acompanho de um parente, senhor de uma competência  maior que o seus quase dois metros de altura - competência incomoda, pois assusta aos medíocres (uma vez ouvi falar que as pessoas tinham inveja das outras. Pensei muito nisso e cheguei à conclusão que a palavra inveja é usada por quem não tem competência. Eu sinto admiração pelas pessoas brilhantes e sinto pena dos que se sentem invejados).  O parente do homem grande de bigode era outra competência em forma de pessoa.
As pessoas iam chegando e vinham direto à “sala do riso”. Chegava o Cabeludo, acompanhado de sua gastrite e seu vasto conhecimento de história. Trazia com ele um abraço arrebatador e uma imaginação fértil para criar nomes e histórias engraçada.
Cegava o galanteador, com sua voz sexy, seus cabelos grisalhos e uma gargalhada inconfundível
E vinha o homem de longe, trazendo as histórias da família, do fulano que comeu uma lagartixa, dos conselhos de sua mãe, do amor que sentia pela esposa e filhos, enfim, ele também trazia consigo a alegria, a razão de ser daquela sala.
Chegava a observadora, com a cara emburrada de tanto tempo dentro do ônibus, mas que abria um sorrizão naquela sala e também contava casos engraçados e reveladores (ui, muito reveladoras).
Chegava o que se vestia como se fosse professor de Educação Física, ansioso por ler seus emails, mas sem antes dar uma passadinha no banheiro, lugar que ele mais freqüentava.
E outras pessoas também começaram a chegar,
Veio a baixinha, de ônibus, mesmo tendo carro, uma guerreira, um exemplo de caráter.
Veio a ninfeta,  a musa da sala, o desejo latente dos homes.
E muitos outros vieram, ora sim, ora não.
Até que a bruxa má mandou fechar a sala.

CARÁTER NÃO SE APRENDE NA ESCOLA



Recentemente aconteceu um fato, aparentemente costumeiro à profissão de professor, mas que me fez refletir sobre o grau de tolerância da chamada “cola”.
Eu sempre disse aos meus alunos que a cola é um direito do aluno, assim como a nota zero é também um direito do professor. Ou seja, quem cola deve assumir o risco de ser pego e arcar com as conseqüências, afinal quem nunca colou? E, por favor, não me venham com hipocrisias, pois quando me refiro a colar falo também da ação de facilitar que o colega dê uma espiadinha no que você está escrevendo.
Só não colei no mestrado, até porque eu já estava mais madura e consciente de meus objetivos.
Já distribui muitos zeros aos meus alunos. Chegava a ser engraçado, pois a turma ficava em alerta para saber que seria o “pato” da vez.
Mas uma ocasião, em especial, merece estar aqui neste blog.
Eu aplicava uma prova na faculdade e houve uma cola generalizada. Resolvi anular a prova. Qual não foi a minha surpresa? Os alunos se insurgiram contra a anulação da prova e foram à direção exigir que eu me retratasse, pois estava colocando em cheque o caráter deles.
E, pior, já não eram mais adolescentes, os quais sempre respeitaram a autoridade do professor. Falo de autoridade, não de autoritarismo.
Eu poderia elencar todos os que me contribuíram para a produção deste pensamento. Chego a achar graça do ridículo da cena, ao mesmo tempo em que me apiedo dessas almas aflitas e inescrupulosas.
Lembro, inclusive, dos que me chegavam a mim com sorrisos e manifestações de afeto artificiais, as quais nunca me comoveram.
Outros, mais coerentes, trancaram-se em seus mundinhos egocêntricos e deixaram até de me cumprimentar.
Então apenas ratifiquei o sempre disse: CARÁTER NÃO SE APRENDE NA ESCOLA

A GALINHA DO CEMITÉRIO

Quando professora do Ensino Médio costumava levar meus alunos para conhecer as cidades históricas de Minas Gerais.
O passeio além de instrutivo era engraçadíssimo, pois adolescentes têm um bom-humor que falta a muitos marmanjos de caras feias.
Num desses passeios, fomos visitar o túmulo do Tancredo Neves. O cemitério estava fechado, mas eles não viram nenhum empecilho para entrar, pois bastava ou pular o muro ou se esgueirar por entre a cerca.
Eu e um grupo de alunos nos sentamos na calçada à espera dos desbravadores de cemitérios quando, de repente, ouvimos um gritaria danada e uma correria desenfreada.
Nem me movi, pois sabia que era mais uma que eles estavam aprontando. Até fingi que não estava com eles, para não me comprometer. Afinal, ser jovem é isso mesmo, é alegria, irreverência e ousadia.
Com uma rapidez muito maior com que entraram no cemitério, eles saíram dele. É claro que correram para me contar o que acontecera.
Resumindo: o Bruno achou um despacho no cemitério, não se conteve, pegou o pé da galinha despachada e saiu correndo atrás das alunas.
Já não me lembro se foi neste mesmo cemitério que segundo antes do Bruno se apossar do pé da galinha, os que estavam lá dentro ouviram o barulho de uma porta batendo e ficaram com os cabelos arrepiados de medo, pois não havia mais ninguém no cemitério além deles, os invasores. Quem sabe não ouviram os fantasmas....rs