Receita simples, rápida, fácil e eficiente.
Antes de qualquer coisa, evidentemente, é preciso ter uma faculdade. Deve ser bem localizada, com uma boa área construída e perspectiva de expansão, uma biblioteca razoavelmente equipada, cursos voltados para o mercado, atendendo tanto à nova classe emergente como aos outros segmentos da sociedade e bons professores. Cabe lembrar que títulos não implicam competência.
A partir do básico, qualquer gestor com visão moderna de administração, transforma, aos poucos, essa faculdade em uma boa universidade. E o inverso também é verdadeiro, isto é, o que já está pronto, pode decair numa proporção muito mais rápida do que a ascensão.
É simples. Vou explicar passo a passo.
Primeiro passo: coloque como diretor administrativo dessa faculdade uma pessoa que não tem os requisitos necessários para o cargo. Dê a ele poderes para tomar decisões, orientado por um outro incapaz. Neste caso também é necessário cercá-lo de pelegos, os quais se sustentam no emprego através dos leva-e-traz, na maioria das vezes infundados ouvidos pela metade, ou criados por uma imaginação virótica. Deixe que esse diretor tenha atitudes de uma mula ou jegue, se preferirem. Ah, ele também deve ter poderes financeiros. Isto é muito importante, pois o dinheiro corrompe os fracos e o fracos adoram o dinheiro que não é seu.
Agora selecione a dedo um diretor acadêmico também incompetente, de preferencia que não goste de trabalhar e sim de delegar suas funções a um secretário puxa-saco, mal educado, sem formação, deselegante com os professores e com os alunos. Observe, com calma, como a vaidade toma conta de quem nunca comeu melado. Lembremos que antes de ser diretor acadêmico, essa criatura também é ou foi professor. Mas isso é um detalhe, que a vaidade não lhe permite ver. Ele se acha gerado para o cargo, ou seja, famigerado. Com o tempo esse diretor se torna realmente um famigerado, famoso por suas atitudes exibicionistas por sua deselegância e "burrice". Aqui também cabem os "baba-ovo", fofoqueiros e incompetentes que alimentam a vaidade desse diretor vesgo, estrábico, míope e surdo às verdades.
Já estamos bem adiantados na nossa desconstrução. Faltam alguns detalhes, como por exemplo a inexistência de propaganda. Se a propaganda é alma do negócio, quando esta não existe, não existe negócio. E se mesmo sem propaganda ainda assim houver alunos, não os receba, não os atenda, não os ouça, não os deixem reivindicar melhorias. Apenas permita que os de mau caráter tenham seus apelos atendidos, como por exemplo, a mudança da nota para ser aprovado, uma nova prova, mesmo não existindo essa possibilidade no regimento da faculdade. Um detalhe:esse tipo de aluno,que reivindica vantagens escabrosas e são atendidos pela direção, qualquer que seja ela, não servem como propaganda boca-a-boca da faculdade porque eles até debocham dos seus diretores. Mesmo este tipo de aluno, apesar e por causa do mau caratismo, sabem reconhecer um péssimo produto e não se expõem vendendo aquilo em que também não acreditam. O que importa é o diploma. Pensamento tolo, porque o mercado seleciona os melhores.
E finalmente, despeça os bons professores, aqueles que não se conformam com situação, aqueles que acreditam na Educação, aqueles que incomodam porque sabem que um dia a casa vai cair. Livre-se desses professores, eles são questionadores, eles primam pela excelência eles não se vendem, porque são muito bons no que fazem e fazem com segurança, com habilidade, com carisma. Sim, o carisma de um professor incomoda sempre o diretor vaidoso. Mais um detalhe: destrate os professores restantes. Intimide-os, ameace-os com a demissão ou com punições sem amparo legal. Não permita que eles conversem, gere o pânico, a discórdia, a desunião.
Acrescente a tudo isso, o desrespeito ao alunado (ou alunato) para o diretor que não sabia que as duas formas existem. Faça esse aluno ficar horas nas fila em busca de um informação. Não tenha uma telefonista de plantão. Deixe o telefone se esgoelar e seu cliente esbravejar de raiva do outro lado da linha. Não leia os emails dos alunos reclamando disso ou se ler, jogue logo na lixeira e diga que não recebeu. Não entregue os diplomas no prazo determinado. Não invista uma parte lucro, conforme prevê a Lei, na melhoria das condições de trabalho do professor e na capacitação dos alunos. E se investir, não espalhe isso como sendo um favor; é obrigação.
Bem, eis a receita. Mas sei que nenhuma faculdade age assim. Não é?

Um comentário:
muito boa, caravela vai afundar de vagar..
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