domingo, 23 de setembro de 2012

AVENIDA BRASIL


Antes de tecer qualquer comentário fazem-se necessários esclarecimentos:
  1.   não sou jornalista, não sou crítica de cinema, de TV ou de rádio; sou mera espectadora;
  2.   sou professora de língua e literaturas da Língua Portuguesa, com mais de 30 anos de magistério, tanto no ensino fundamental e médio, quanto no ensino superior;
  3. durante longos anos não assisti a novelas, até porque elas são noturnas e este era o meu horário de trabalho. Hoje, com todo o tempo disponível, faço o que gosto, assisto ao que gosto.
  4.   não faço a linha intelectual, politizada, "papo cabeça". Já passei dessa época e posso dar-me ao deleite de zapear a TV, escolhendo qualquer programa que me interesse ou que me divirta.

Na primeira semana da novela Avenida Brasil, eu pensei eu não mais assisitir, porque o sofrimento da menina Rita me abalava muito. Sou daquelas pessoas que choram até em desenhos e, por isso, depois que a Rita foi abandonada no lixão eu parei de ver a novela. Quando soube que ela já estava na fase adulta, ainda na Argentina, pronta para voltar para o Brasil, após a morte do pai adotivo dela, eu voltei a assistir à novela.

A trama estava muito boa, quase todos os dias havia um clímax que sempre se refazia em um novo clímax durante vários capítulos. Acredito que boa parte do Brasil parou para ver a novela da Globo, cujos índices de audiência corroboram o que afirmei anteriormente.

Comecei - por força da profissão - a traçar alguns perfis das personagens, ou seja, Tufão, o "bonzinho", às vezes até bisonho, é o oposto do significado do substantivo comum, isto é, tufão, vento tempestuoso e repentino que corre com grande fúria todos os rumos. O Tufão da novela é uma brisa, que não sospra, que é  soprada, sem nenhum senso de direção. Ninguém é tão ingênuo assim.

A Carminha está perfeita como a vilã, embora o autor tenha falhado no episódio em que ela colocou a Nina numa cova e a deixa viva. Tolice, sem fundamento, sem razão, sem motivo para desencadear a ira da Nina já antiga.

A Muricy é o mau caratismo em pessoa. Egoísta, falsa, tão fingida quanto a Carminha, preconceituosa e falsa puritana.

O núcleo do Divino é engraçdo, embora, às vezes, muito caricato.

O Cadinho, nem vou perder meu tempo. Personifica o achicalhamento da família.

Vamos ao que interessa: será que o autor acha que todos somos tão idiotas? Só pode ser. 

Qualquer um já teria desmacarado a Carminha. É muita tolice essa enroalção de "não vamos machucar o Tufão", ó coitado do Tufão!

Se a arte imita a vida, sejamos coerentes com a vida. Quem, com a malícia e experiência da Nina tiraria todo aquele dinheiro do banco e sairia com ele numa mochila? Ah, isso já é apelação, já é desreito ao telespectador.

Se era para ficar nesse lenga-lenga, seria melhor que a Nina não tivesse conseguido as fotos que incriminam a Carminha. Seria melhor que o Jorginho ainda não tivesse sabido que a Nina é a Rita.

Esse vai-e-volta da novela é que já passou dos limites da tolerância.

Enfim, quando acabar a novela, vocês me contam o final, porque eu não aguento mais toda essa bobagem, todo esse desenrolar da novela sem a menor coerência, sem o menor sentido.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O QUE APRENDI SOBRE AMIZADE


Aprendi que os amigos da adolescência, aqueles dos tempos da escola, da "cola", aqueles em cujas casas nossos pais nos permitiam passar a noite com a certeza de que estávamos bem guardados e vigiados por outros pais zelosos, a maioria, senão todos, são doces lembranças. Na época compartilhávamos das mesmas ideias, das mesmas rebeldias, o mesmo gosto por filmes, por roupas...Crescemos, as crenças já não são mais as mesmas, o estilo cada um encontrou o seu. Quando nos encotramos nas esquinas ou da vida ou da internet, damos risadas nostálgicas, mas não nos reconhecemos mais.



Aprendi que o 1º amor realmente a gente nunca esquece. Podemos até amar outra pessoa até com mais intensidade. Nem sempre vem de uma amizade ou vira amizade depois. Mas não esquecemos e, às vezes, essa lembrança traz consigo a esperança de que um dia será para sempre, nesta ou em qualquer outra vida. Será eterno, a letra s para concretizar um nó.

Aprendi que amizade entre parentes, familiares dura até a divisão dos bens.

Aprendi também que amor pode vira amizade sincera, não tão sincero como foi o amor. E para isso, temos que saber admitir nossos erros, nossas neuras, temos que reconhecer que numa relação nem sempre o outro é quem não soube amar. Amizade é baseada em confiança, em compreensão, inclusive daquilo em que falhamos. Entendi que aceitar o outro sem a projeção que fazemos dele já é um bom começo. Numa relação não há herois e nem vilões; somos protagonistas, ou seja, ora somos culpados, ora somos inocentes. Até que a justiça os declare separados. Sendo assim, saber entender essa dicotomia, estar ciente que mesmo separados não implica estar em estado de alerta, em posição de defesa, pronto para atacar, facilita o surgimento de uma amizade para o resto da vida. Afinal, são pessoas cujos olhares, mesmo em direções opostas, quando se cruzam, reconhecem suas fraquezas, tanto quanto o seus méritos, mesmo que não queiram admitir. Quando olhares são palavras bem compreendidas, aceitas e respeitas, a mente aprende que ganhamos um aliado para a vida toda.

Amizades de trabalho são como as estações do ano. Cada ciclo um novo amigo. Essa amizade é efêmera e, quando sincera, também se torna uma doce lembrança. Aprendi que os maiores inimigos são os amigos que mais nos presenteiam, que mais nos elogiam, que mais nos enaltecem. É a "amizade" mais perigosa.

Sendo assim: