Nunca estudei em escola particular. Sempre estudei em escolas públicas, desde o 1º grau até a faculdade na UFRJ e concluí meu Mestrado, também numa Universidade Pública.
Sou de uma época que se mesclavam brancos, negros, amarelos, papagaios e lagartos numa sala da rede oficial. Não se falava em bulling (assunto que tratarei em outra postagem), havia reprovação (eu mesma fui reprovada em matemática, desenho e inglês), aluno podia ser repreendido, suspenso e até expulso por mau comportamento.
Evidentemente que os valores eram outros. Ou seja, todos queria ser doutores, ter uma profissão que lhes possibilitasse a realização dos sonhos que nossos pais não podiam custear.
A escola era de categoria; havia as disciplinas tradicionais, assim como música, desenho, artes, dentro de uma grade que compreendia um calendário escolar que começava em março, com recesso em julho e férias felizes nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Nada ficava por ser lecionado.
Ainda como hoje, nem todos chegavam ao Segundo Grau, mas os que conseguiam, certamente seguiam até a faculdade, com a certeza de que só o estudo poderia ou oferecer ou manter as necessidades de cada um.
Sei que os tempos eram outros, por exemplo, não havia aprovação automática na rede pública. Havia, sim, ordem, disciplina, sem as quais não há crescimento, quer intelectual, quer comportamental.
As escolas públicas eram o alicerce de uma Educação de primeira, com bibliotecas, quadras esportivas e lições de civilidade e patriotismo. Cantava-se semanalmente o Hino Nacional. Havia os campeonatos, os Jogos da Primavera, onde os alunos mais afeitos a atividades esportivas já demonstravam suas habilidades que, se, naquela época, bem trabalhadas, poderiam, certamente, produzir atletas de ponta.
Entrar na escola pública requeria uma seleção, o exame de admissão, cujo propósito, hoje, não vejo como necessário. No entanto, essa seleção possibilitava ao professor um trabalho profícuo, posto que apenas os que mais se esforaçaram tinham suas vagas garantidas, assim como a certeza de um esnino de qualidade.
A merenda já era oferecida, e o cardápio variava de biscoito com chocolate a macarrão com salsicha. Ainda hoje as escolas mantêm esse costume, de total importância, pois apesar de abranger todas as classes sociais, o apetite é comum a qualquer pessoa.
Agora inventaram cotas paras os negros, para os índios, para os menos favorecidos. Só falta invetar cotas para os idosos, os quais merecem nosso maior respeito.
Sou CONTRA COTAS. Sou contra minimizar o problema no topo da pirâmide. Devemos, sim, melhorar o ensino na base, no chão da fábrica, a fim de possibilitar que o operário se torne um graduado, consciente de que seus esforços renderam-lhe frutos para garatir a si e a seus descendentes uma inserção real no mercado de trabalho.
Estamos tapando o sol com a peneira, fingindo que a escola pública prepara o aluno para uma vida acadêmica de sacrifícios, de muita dedicação e estudo.
Cotas não resolvem o problema do aprendizado fraco, do falta de professor o que, infelizmente, faz com que o aluno seja aprovado sem nunca ter estudado a matéria.
Dizer que as melhores notas nas universidades que já adotam o sistema cotas para negros é deles, é mascarar um rol de estatísticas, cujos dados não nos são revelados e podem ser manipulados, por necessidades políticas
O Senado criou dúvidas ao aprovar uma pauta tão contraditória sem se ater à origem do problema, ou seja, um ensino fundamental sem qualidade. Embora o sistema de cotas aprovado mascare as Universidades como “mãezona” de todos, sem excluir ninguém (afinal, coração de mãe sempre cabe mais um, seja ele pobre, rico, preto, branco ou negro) isso só vem provar os interesses dos políticos descomprometidos com a Educação de base, verdadeira, alicerce para a formação do cidadão apto a exercer, com habilidade a carreira que abraçar.
Questiono também se os ingressantes pelo sistema de cotas chegarão ao final da graduação, visto que o sitema de avaliação das Faculdades manter-se-á o mesmo. Através das notas de aprovação. Ou irão também que os professores universitários adaptem as provas aos alunos cotistas? Será que teremos o inverso da escolas públicas, ou seja, reprovação em massa.
Não sou preconceituosa e, por isso, defendo uma Educação de qualidade para o branco, o negro, o índio, ou seja, para o povo brasileiro.
Só para concluir, temos a obrigação de salvar as escolas públicas dos desgates de governos mais preocupados com votos do que com a formação do cidadão, pois todos sabemos que a insipiência só atende aos interesses escusos dos que estão no poder e dele não querem abrir mao, apelando até para aprovação de projetos populistas.
Quando a Educação for tratada como prioridade, com salários dignos para os professores, escolas sem carências de profissinais (todos concursados e, consequentemente os mais bem preparados), quando o Estado investir de fato na melhoria da qualidade de ensino das redes oficiais, não mais haverá necessidade de cotas, pois tanto os alunos da rede pública como os da rede privada estarão em igualdade para buscar suas aprovações nas Universidades Federais e Estaduais.
Cabe ainda uma ressalva: muitas universidades particulares já cumprem com excelência sua função na preparação de profissionais capacitados. Haja vista a grande procura por vagas nessas Instituições por alunos que almejam nelas ingressar pelo PROUNI.
Um comentário:
Ola gostaria de dizer que em um pais caracterizado por grandes desvios e malversações, certamente no momento em que o ensino público for capaz de incluir alunos em grandes escala no ensino superior, diversas gerações terão sido prejudicadas. Além disso, as cotas de fato são um paliativo, mas que fará grande diferença no histórico e nas perspectivas da população negra. É impossível que séculos de exploração, racismo e atraso impingido a um grupo humano seja meramente relegado, esta é um importante e necessário resgate histórico.
taute_oliveira@yahoo.com.br
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